Targets (1968) de Peter Bogdanovich





















Targets (Peter Bogdanovich, 1968) 




No seu segundo filme, Targets (1968), Peter Bogdanovich veste a pele de Sammy Michaels, promissor cineasta que tenta convencer Byron Orlock (Boris Karloff) a reconsiderar a decisão de se aposentar da carreira de actor que o projectou como figura mítica do cinema de terror. Como veremos ao longo do filme, a tarefa não é cumprida pois Byron Orlock confirma o que o levara a tomar a decisão: o pressentimento de que diariamente o espectador é confrontado com uma realidade demasiado violenta para ainda se arrepiar com as personagens arcaicas que representa. Em paralelo corre a narrativa de um jovem sniper, Bobby Thompson (Tim O’Kelly), que, depois de assassinar parte da família, se instala em locais estratégicos para abater aleatoriamente os que passam pela mira da sua arma. Uma história inspirada no caso real de Charles Whitman. O confronto entre os dois blocos narrativos dá-se apenas no final (ainda que no inicio haja um encontro inconsequente), num drive-in onde decorre uma sessão de homenagem a Byron Orlock, que assim porá um ponto final nas suas presenças em eventos públicos. A tela do drive-in exibe The Terror (O Terror, 1963) de Roger Corman, protagonizado pelo próprio Boris Karloff/Byron Orlock, e atrás dela o sniper encontra um último esconderijo, utilizando um pequeno orifício para prosseguir o massacre. Com este dispositivo, Bogdanovich cria a ilusão de que as imagens do filme disparam literalmente sobre o espectador. [continuar a ler]


Texto publicado em 13.10.2016 no site À pala de Walsh.




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