O Melhor Terror de 2016





















Hush (Mike Flanagan, 2016)




16

Rob Zombie, 31
Fede Alvarez, Don't Breathe
Kiyoshi Kurosawa, Kurîpî: Itsuwari no rinjin (Creepy)
Ti West, In a Valley of Violence
Na Hong-jin, Goksung (The Wailing)
Yeon Sang-Ho, Busanhaeng (Train to Busan)
James Wan, The Conjuring 2
Jeremy Saulnier, Green Room
Bryan Bertino, The Monster
Nicolas Pesce, The Eyes of My Mother
Mike Flanagan, Hush
Bo Mikkelsen, What We Become
Can Evrenol, Baskin
Karyn Kusama, The Invitation
Jon Watts, Clown
Babak Anvari, Under the Shadow


//


Targets (1968) de Peter Bogdanovich





















Targets (Peter Bogdanovich, 1968) 




No seu segundo filme, Targets (1968), Peter Bogdanovich veste a pele de Sammy Michaels, promissor cineasta que tenta convencer Byron Orlock (Boris Karloff) a reconsiderar a decisão de se aposentar da carreira de actor que o projectou como figura mítica do cinema de terror. Como veremos ao longo do filme, a tarefa não é cumprida pois Byron Orlock confirma o que o levara a tomar a decisão: o pressentimento de que diariamente o espectador é confrontado com uma realidade demasiado violenta para ainda se arrepiar com as personagens arcaicas que representa. Em paralelo corre a narrativa de um jovem sniper, Bobby Thompson (Tim O’Kelly), que, depois de assassinar parte da família, se instala em locais estratégicos para abater aleatoriamente os que passam pela mira da sua arma. Uma história inspirada no caso real de Charles Whitman. O confronto entre os dois blocos narrativos dá-se apenas no final (ainda que no inicio haja um encontro inconsequente), num drive-in onde decorre uma sessão de homenagem a Byron Orlock, que assim porá um ponto final nas suas presenças em eventos públicos. A tela do drive-in exibe The Terror (O Terror, 1963) de Roger Corman, protagonizado pelo próprio Boris Karloff/Byron Orlock, e atrás dela o sniper encontra um último esconderijo, utilizando um pequeno orifício para prosseguir o massacre. Com este dispositivo, Bogdanovich cria a ilusão de que as imagens do filme disparam literalmente sobre o espectador. [continuar a ler]


Texto publicado em 13.10.2016 no site À pala de Walsh.




//

Como se não existisse nada (2016) de Sibila Lind





















Como se não existisse nada (Sibila Lind, 2016) 




A obra de Querubim Lapa (1925-2016), considerado o mais importante ceramista português do séc. XX, tem uma presença no cinema nacional, como marca de modernidade e de cosmopolitismo, nomeadamente nos períodos anteriores e contemporâneos do Cinema Novo. Criou um conjunto de réplicas da obra do escultor Soares dos Reis para o documentário O Desterrado (1949) de  Manuel Guimarães, montando oficina de trabalho na Tobis Portuguesa, onde contactou com personalidades ligadas ao cinema, como Cottinelli Telmo, tendo acompanhado as filmagens de Vendaval Maravilhoso (1949), última ficção de José Leitão de Barros. Uma das suas criações mais singulares, o pórtico da desaparecida loja Rampa, foi registada por Paulo Rocha em Verdes Anos (1963). Como nota Rita Gomes Ferrão, em Querubim Lapa: Primeira Obra Cerâmica 1954-1974, a última monografia que lhe foi dedicada ainda em vida [continuar a ler]


Texto publicado em 28.10.2016 no site À pala de Walsh.




//

LEFFest 2016: suicídio assistido, famílias sepulcrais, estátuas a arder e gordas a dançar

























Rester Vertical (Alain Guiraudie, 2016) 




Em jeito de compensação pelo acidente de 2013, em que L’Inconnu du lac (O Desconhecido do Lago, 2013) foi remetido para a secção “Un Certain Regard”, Cannes 2016 elevou Rester vertical (2016) à competição oficial. Se a escolha prestigiou ou não a competição é uma questão irrelevante e independente da qualidade do filme pois, na história do festival, abundam exemplos de cinema anódino seleccionado para esta secção. Chega agora a Portugal, já com o logótipo da Alambique, devidamente legendado e pronto a estrear-se. A avaliar pela quantidade de público, sorrisos envergonhados e exclamações de espanto, na sessão de sexta-feira à noite do Cinema Nimas, o universo singular de Alain Guiraudie ainda não conquistou em Portugal uma base sustentável de fãs [continuar a ler]


Texto publicado em 15.11.2016 no site À pala de Walsh.




//