LEFFest 2016: “The Last Family” de Jan P. Matuszynski





















The Last Family (Ostatnia rodzina, Jan P. Matuszynski, 2016)




Ostatnia rodzina (The Last Family, 2016) de Jan P. Matuszynski abre com Zdzislaw Beksinski (Andrzej Seweryn), pintor polaco, popular pelos seus retratos de grandes dimensões de figuras despojadas em cenários apocalípticos, a confessar o desejo de possuir um programa digital que produzisse uma mutação física e intelectual em Alicia Silverstone, oferecendo-lhe alguns centímetros de altura e outros apetecíveis benefícios físicos, juntamente com um conjunto de ferramentas intelectuais. A junção dos ideais físico e intelectual instiga Beksinski a descrever pormenorizadamente um rol de excessos sexuais a que submeteria a actriz, o que nos leva a conceber um corpo humano dilacerado pela violência dos prazeres a que é sujeito. Atente-se à passagem de Beksinski pelo corredor, quando acompanha o interlocutor à porta. Ao fundo, entre a penumbra, ressaltam fragmentos de uma pintura da sua autoria, em que uma figura deformada parece escorrer sangue. No regresso à sala, Beksinski  senta-se e contempla pinturas suas expostas nas paredes. Pelas pistas oferecidas antevemos The Last Family  como uma deriva por traços biográficos susceptíveis de inspirarem a obra do pintor, refugiando-se numa hipotética incapacidade de emancipar a obra da vida. Não poderíamos estar mais enganados.

Estreado na secção competitiva do Festival de Locarno, onde Andrzej Seweryn merecidamente conquistou o prémio para a melhor interpretação masculina, The Last Family é a primeira incursão de Jan P. Matuszynski na longa-metragem de ficção, após realizar o documentário Deep Love (2013) e várias curtas-metragens. A opção tomada no prólogo, ao centrar a cena em torno da obra de Zdzislaw Beksinski, é rapidamente posta de lado. Muito esporadicamente acompanhamos a sua pratica artística. As pinturas estão lá, em abundante quantidade e espalhadas pela casa, mas unicamente como papel de parede. [continuar a ler]


Texto publicado em 15.11.2016 no site À pala de Walsh.



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