Eugénie: posters e lobby cards


Este material é fruto de um trabalho de pesquisa e selecção da responsabilidade da página The astounding Dr. Wollmen in the charming planet of the secret wonders.


Eugénie (Eugenie de Sade, Jess Franco, 1970)



País de origem: França
Autor: Constantin Belinsky

País de origem: Bélgica
Autor: Desconhecido





País de origem: Itália
Autor: desconhecido

País de origem: Itália
Autor: desconhecido




País de origem: Itália
Autor: desconhecido





Lobby card italiano




A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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Eugénie (Eugenie de Sade)



Eugénie (Eugenie de Sade, Jess Franco, 1970)




¿Eres alegre o triste de temperamento? 
Un poco triste. Vivo como mi nombre: en soledad.

Soledad Miranda em Lecturas, 31.01.1964



Soledad Miranda, nascida com o nome de Soledad Rendón Bueno, em 9 de Julho de 1943, em Sevilha, descendente de portugueses, foi cantora, bailarina de flamenco e teve pequenas aparições no cinema antes de se dedicar por inteiro à carreira de actriz. Sobrinha da popular cantora e actriz Paquita Rico, Soledad Miranda passou por aventuras épicas, filmes de terror, comédias, dramas e musicais. Enquanto filma em Portugal três filmes - A canção da Saudade (Henrique Campos, 1964), Los gatos negros (José Luis Monter, 1964) e Un día en Lisboa (Alfonso Nieva, 1964) - priva com o actor e piloto de automóveis José Manuel da Conceição Simões, com o qual casaria. Com o nascimento do primeiro filho decide retirar-se da vida artística e dedicar-se à família. Por pouco tempo, pois aceita a proposta para entrar no western 100 Rifles (Tom Gries, 1969). Também Jess Franco volta ao seu encontro, repescando-a para a Lucy de Count Dracula, a contracenar com Christopher Lee, muitos anos depois de lhe ter entregue um pequeno papel em La reina del Tabarín (1960). Esta nova parceria estendeu-se por sete filmes: Count Dracula (El Conde Drácula, 1969), Eugénie (Eugenie de Sade, 1970), Sex Charade (1970), Les cauchemars naissent la nuit (Nightmares Come at Night, 1970), Vampyros Lesbos (Las vampiras, 1970), Sie tötete in Ekstase (She Killed in Ecstasy, 1970) e Der Teufel kam aus Akasava (The Devil Came from Akasava, 1970). Ainda podemos contar com a sua participação na fascinante experiência documental Cuadecuc, vampir (1969), que Pere Portabella fez a partir da rodagem de Count Dracula, e no inacabado Juliette (Jess Franco, 1970).

Para proteger a vida familiar, nos filmes mais ousados adoptou a identidade de Susann Korda (indicada como Susan Korday em algumas fichas técnicas). Há quem diga que foi Jess Franco quem lhe criou esse alter ego, a partir de dois nomes populares: o produtor Alexander Korda e a escritora Jacqueline Susann. No entanto, o produtor Kevin Collins afirmou numa entrevista: Jess did say that he took the name from a German actress. Jess does not usually combine names. He takes names from obscure or relatively unknown artists for whom he has a particular affinity. Susan (or Susanne) Korda is no different than Lina Romay, the name purloined hook, line and sinker from Xavier Cugat's singer of the '40s and '50s. As for the 'Susanne' part, Jess pointed out that he never read her books and really hated Valley of the Dolls, so he'd certainly not use any reference to her to create a name for his dream actress, Soledad. As a rule of thumb, you can usually assume that any pseudonym used by Franco is a name taken - as an homage - from a Jazz artist or Hollywood technician or a European actor or actress from days gone by. O sucesso com Franco levou o produtor alemão Artur Brauner a propor a Soledad Miranda um contrato de trabalho para vários filmes. Quando o documento está a ser preparado, Jess Franco recebe a noticia de que Soledad Miranda tinha falecido, em Portugal, num acidente de automóvel, num trajecto entre Estoril e Lisboa. Era 18 de Agosto de 1970. Soledad Miranda tinha vinte e sete anos e, premonitoriamente, num dos últimos filmes em que trabalhou, Sie tötete in Ekstase (She Killed in Ecstasy), morreria também num acidente de automóvel. Na iniciativa Jess Franco: Um Mapa vamos destacar os dois filmes mais significativos para a criação do mito Soledad Miranda: Eugénie e Vampyros Lesbos.

Eugénie (Eugenie de Sade) é outra das abordagens livres à obra do Marques de Sade, por parte de Jess Franco. Neste caso, trata-se de uma leitura actualizada de La Philosophie dans le boudoir, um ano depois de ter feito o mesmo em Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion (1969). Soledad Miranda vive o papel de Eugénie Radeck, que mora com o padrasto Albert Radeck (Paul Muller), um escritor de livros eróticos. Quando Albert a encontra amadurecida, propõe-lhe uma viagem iniciática pelo crime e pela perversão, facultando-lhe o poder de atingir prazer pelo infligir de dor: viver cada momento com consciência e intensidade por forma a descobrir que a chave da vida não é mais que o prazer pessoal, conseguido à custa de alguém. Garante-lhe que amará cada momento e celebrará o facto de saber secretamente que fez algo belo, ainda que proibido. Em conjunto, atraem e assassinam vítimas, que não desconfiam do plano, seduzidas pelo ar encantador de Eugénie. Como um casal de amantes, unidos pela morte, traçam um caminho sem limites, abrindo feridas e provocando sangue. Eugénie, filha e amante. Enquanto na obra de Sade, Eugénie é mesmo filha de Albert, no filme de Franco, os produtores, com medo da censura, impediram que tal acontecesse. Assim, Albert ficou como padrasto. De pouco serve, para impedir que caia o fantasma do incesto sobre a relação.

Embalada por uma melodia delicada de Bruno Nicolai, num longo flashback em tom documental, Eugénie narra, ao investigador Attila Tanner (Jess Franco), a sua história pacata e doce, ainda que de solidão consentida, apenas estremecida pelas mortes violentas. É nesses momentos que a música se metamorfoseia em algo inebriante e sinistro. Eugénie quase que perde a figura pálida e inanimada - da inocência dos planos repetidos, em que está recolhida a abraçar as pernas -, que faz parte do mito associado a Soledad Miranda, e é devorada por uma curiosidade e uma vontade de fazer que parecia estar-lhe vedada. Duas das mortes são momentos de antologia da obra de Jess Franco. Na primeira, uma modelo profissional (Alice Arno) é fotografada por Albert, enquanto Eugénie assiste. O som do disparar da máquina fotográfica torna-se em algo intrusivo que choca com a placidez da modelo. Quando lhe pedem para criar um ambiente sádico, traz objectos de tortura e pinta partes do corpo com tinta vermelha, para parecer sangue. Como cereja em cima do bolo, reclama que precisa de ajuda na aplicação dos objectos sobre o seu corpo. Eugénie avança. A música acelera mas é o disparar da máquina que ressalta, numa montagem à base de planos curtos. Na outra cena, uma mulher (Greta Schmidt) que encontram na estrada aceita participar num jogo em que faz de cadáver. Completado o crime, Albert e Eugénie entregam-se apaixonadamente. Em ambas as cenas, o espectador adivinha o que vai acontecer e as personagens, como que intoxicadas, dirigem-se imperturbáveis em direcção ao abismo, participando activamente numa encenação em que antecipam a experiência da morte. Antes de se tornarem vítimas, são agentes da sua própria morte. A artificialidade do cinema - um tema que se tornaria caro a Jess Franco e seria o motivo de El sexo está loco (1980) -, é logo sugerida na abertura do filme, durante os créditos, em que Attila Tanner visiona o que parece ser um snuff film, gravado por Albert e Eugénie, enquanto matam uma mulher e olham directamente para a câmara. Ou seja, olham para Attila Tanner, que não é mais que Jess Franco. Ainda não sabemos pormenores da história e das personagens, pelo que o que realmente vemos é Jess Franco a dirigir Paul Muller e Soledad Miranda. No cinema de Jess Franco, Eugénie é uma boa ponte entre as fantasias pop da década de 1960 e os devaneios da década seguinte, como uma obra provocante mas sóbria que contribuiu para solidificar Soledad Miranda enquanto mito. Uma construção de Jess Franco, cujo olhar se transfigura numa intensa declaração de amor.

No mercado anglo-saxónico, após lançamentos das distribuidoras Wild East e Oracle Entertainment, em 2008 a Blue Underground disponibilizou uma nova edição sem cortes de Eugénie, em formato DVD, com transferência a partir do negativo original. A edição é disponibilizada com faixas de áudio, em francês e inglês, masterizadas em Dolby Digital Mono, e legendagem em inglês. Como noutros exemplos de títulos de Jess Franco em que existe esta opção, insistimos no áudio em francês. Nos extras encontra-se um trailer e o documentário Franco de Sade, em que Jess Franco dá uma entrevista longa para discutir a obra de Sade e a relação pessoal e profissional com Soledad Miranda. E reitera que nunca foram amantes. Antes, pai e filha.


A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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Eugenie, Historia de una perversión: posters


Este material é fruto de um trabalho de pesquisa e selecção da responsabilidade da página The astounding Dr. Wollmen in the charming planet of the secret wonders.


Eugenie, Historia de una perversión (Jess Franco, 1980)


País de origem: Espanha
Autor: Desconhecido

País de origem: Alemanha
Autor: Desconhecido



A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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Eugenie, Historia de una perversión


No ensaio The Undying Legend sobre Jess Franco, assinado por Tim Lucas para a revista Fangoria #325, Agosto 2013, há um ponto que se aplica perfeitamente a Eugenie, Historia de una perversión (1980): every Franco movie sheds light on the rest, because he filmed so rapidly that his work becomes a continuum, a house of mirrors, rather than a series of self-contained statements. This doesn't mean that each movie can't be enjoyed on its own merits, but there's no question that you get more out of them the better acquainted with his overall output. Como Lucas conclui no ensaio, isto reflecte-se numa repetição de actores, locais, personagens e situações. Eugenie é uma dessas personagens, inspirada em La Philosophie dans le boudoir de Sade, que serviu de referência para vários filmes de Franco: Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion (1969), Eugénie (1970), Plaisir à trois (1973), Cocktail spécial (1978), Eugenie, Historia de una perversión (1980), Historia sexual de O (The Sexual Story of O, 1981) e Tender Flesh (Carne fresca, 1997).

O produtor Harry Allan Towers escreveu o argumento de Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion, tendo em vista um elenco internacional. Apesar de ter sido rodado numa ilha mediterrânica perto de Barcelona, não existe contacto com a realidade espanhola e a localização geográfica do espaço não tem qualquer interferência na acção. Mantendo semelhanças na história, tudo o resto muda radicalmente em Eugenie, Historia de una perversión, pequena produção espanhola, falada em castelhano e maioritariamente com actores locais, habituais do cinema de Jess Franco. A excepção é a alemã Katja Bienert, que, anos mais tarde, se tornaria numa cara da produção televisiva alemã. Os cenários são os singulares projectos urbanísticos La Muralla Roja e Xanadú, desenhados pelo arquitecto Ricardo Bofill para o complexo turístico La Manzanera (Calpe, Alicante), que através de investigações geométricas lembram estruturas militares que mimetizam a solidez da costa rochosa. Xanadú é um elemento arquitectónico intrigante em outros filmes de Jess Franco: Sie tötete in Ekstase (She Killed in Ecstasy, 1970) e La comtesse perverse (1973). Em breve, dedicaremos uma nova postagem a La Muralla Roja e a Xanadú. Eugenie, Historia de una perversión foi produzido no principio da década de 1980, aquando do regresso de Jess Franco a Espanha, depois do exílio voluntário no exterior, durante o regime do General Franco. Enquanto em Madrid, Pedro Almodóvar aborda os desafios e as mudanças operadas na sociedade espanhola, Jess Franco dirige-se à Costa Blanca, junto ao Mediterrâneo, para compor um retrato desencantado e uma crítica feroz das elites abastadas que durante os meses de calor, entre o sol e o mar, contaminam com decadência e perversão o que as rodeia.

Alberto de Rosa (Antonio Mayans) pede ajuda à irmã Alba de Rosa (Mabel Escaño), por viver obcecado com Eugenie (Katja Bienert), filha de um casal francês que conheceram na praia. Alba seduz Erwin Tanner (Antonio Rebollo), pai de Eugenie, e convence-o para que a jovem lhes seja entregue, para guarda, enquanto os pais se ausentam. Deste modo, Eugenie é lançada num caminho de descoberta da sexualidade e da perversão, com resultados trágicos inesperados. A relação entre Alba e Alberto é dúbia pois apresentam-se como irmãos, mas na intimidade agem como amantes. Consideram-se espanhóis, mas pertencentes a um sector que intitulam de "evolucionado". De idade indefinida, Eugenie é uma menina com corpo de mulher. Uma criança, perfumada pela inocência, mas que desperta o pecado. Ainda que rodeada por brinquedos, é atraída pelo novo mundo da sexualidade que Alberto e Alba representam. Segundo Alberto, Eugenie sabe que a olha, que gosta dela. Sabe que a deseja e provoca-o. Sabe que a espia e exibe-se perante ele. Alberto ama-a e, ao mesmo tempo, odeia-a pela falta de pudor, pelo fundo de perversão que há no seu olhar, nos seus movimentos, pela consciente provocação. A câmara filma Eugenie segundo o ponto de vista de um voyeur - Alberto, Jess Franco ou o espectador - e ela aparece e desaparece dos olhos ou pensamentos, enquanto algo obsessivo e insuportável. O olhar que lhe é dirigido não se quer fazer notar e por isso resguarda-se por detrás de portas, janelas ou cortinas. Ou mesmo, entre planos rasgados pela entrada excessiva de luz.

Entrar em Eugenie, Historia de una perversión sem ter passado pelos filmes que Jess Franco realizou durante a década de 1970, incluindo as incursões pelo porno, é passar ao lado das musas Soledad Miranda e Lina Romay – esta última, aqui, quase irreconhecível no pequeno papel da surreal mascote-cão do casal - e de todo um processo de experimentação, em que a música e a acção performativa dos actores eram aliadas a manipulações incontidas do foco e do zoom. Eugenie, Historia de una perversión e Gemidos de placer (1982), obras fundamentais da produção tardia de Jess Franco, surgem como apuramentos desse método, com a narrativa a ser subalternizada a favor da exploração erótica quase explicita, resultando em coreografias visuais que tocam a abstracção. Em 1981, Franco dedicaria um novo filme à obra de Sade, com Historia sexual de O, num universo de mulheres em que aos homens é retirada a capacidade de agir. A única cópia de Eugenie, Historia de una perversión que localizámos pertence a uma transferência de um formato VHS para um ficheiro digital. Uma experiencia curiosa, esta mediação do analógico pelo digital. Com a decadência do suporte analógico, em pleno culto da pureza digital, é poder experienciar a glória do VHS, congelando no tempo toda a sujidade e as interferências que a passagem e o uso repetido da fita poderiam causar.


Eugenie, Historia de una perversión (Jess Franco, 1980)



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Fangoria: Jess Franco Remembered


































Fangoria #325, Agosto 2013, Celebrating the Master of Eurohorror




Jess was more emotion - and feeling based - after all, he was a jazz musician at heart.  Mind you, when Jess explained the supposed symbolism in some of the scenes. I had a hard time following his thoughts. I never quite understood how an audience would get them without any kind of explanation. It could be said that Jess was at the mercy of his feelings; that's why his work is so uneven. He could be a genius one day and a lackluster the next.
Maria Rohm, actriz, em Beautiful Maria

We have to consider that he lived the earlier part of  his life under General Francisco Franco's regime, except for  periods in France,  where he was able to see another world out there, away from the hypocrisy of the time in Spain. His first films contained little or no eroticism; I believe the first example of  this was in Succubus. Violence was permitted on screen, especially if the right side won, but sex was out of question. I did eight films with Jess over a 10-year period, and his interest in the erotic eventually became more important than the storylines.
Jack Taylor, actor, em Jack's Journey Into Perversion

Talking of legends, it is an off-told tale in cultdom that one way Jess could be so superhumanly productive was that he would shoot more than one film at a time, sometimes with the same blissfully oblivious cast and crew. Jess categorically denied this - so then how could he churn out five to seven films a year? "My personal problem is that when I'm shooting a film, I'm not able to think about another. It's impossible to cut my brain into separate pieces: 'This one's for Dracula and this one's for the cannibal film.' When it was organized well, I was able to shoot very close, one day between movies ... But this nonsense about me making two at the same time? No, I would shoot back to back. I like this system. It was wonderful to have the opportunity to shoot, let's say, Count Dracula, and the next day, because we'd agreed about the actors, the locations and everything, Bloody Judge."
David Gregory, fundador da produtora e distribuidora Severin Films, em My Friend, Jess Franco

If Franco's work has any particular magic formula that incites obsession, it is his serial use of not only actors and locations, but characters and situations. The IMDb presently lists 194 movies under his direction - though it's an incomplete list, especially if one considers alternative versions as separate titles - yet it's possible that this sprawling achievement could be reduced to no more than a dozen or so recurring stories.
Tim Lucas, crítico e editor da revista Video Watchdog, em Jess Franco: The Undying Legend

... as I wrote in my article "How to Read a Franco Film" (which appeared in the very first issue of my magazine Video Watchdog), you can't see one Franco film until you've seen them all... My point is that every Franco movie sheds light on the rest, because he filmed so rapidly that his work becomes a continuum, a house of mirrors, rather than a series of self-contained statements. This doesn't mean that each movie can't be enjoyed on its own merits, but there's no question that you get more out of them the better acquainted with his overall output. This is far truer of Franco than it is of John Ford, Howard Hawks or even Franco's own master Orson Welles, which I believe makes him one of the cinema's truest auteurs.
Tim Lucas, crítico e editor da revista Video Watchdog, em Jess Franco: The Undying Legend

Franco's films have taught me that when all movies begin to look alike, cinema has become unhealthy. One of  the reasons why people sometimes find it difficult to embrace Franco's work right away is that it's out of step with how they do things in Hollywood, or even other European genre films. Franco may employ commercial formats like horror or sexploitation,  but he uses them to create pictures that are literary, campy, ironic, satirical, primitive, anarchistic, political, even diaristic.
Tim Lucas, crítico e editor da revista Video Watchdog, em Jess Franco: The Undying Legend 



A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion: posters e lobby cards


Este material é fruto de um trabalho de pesquisa e selecção da responsabilidade da página The astounding Dr. Wollmen in the charming planet of the secret wonders.


Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion (Jess Franco, 1969)


País de origem: Itália
Autor: Desconhecido

País de origem: Alemanha
Autor: Desconhecido



País de origem: Australia
Autor: desconhecido

País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido




País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido



Lobby card alemão

Lobby card norte-americano





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Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion


 Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion (Jess Franco, 1969)




Cruelty, far from being a vice, is the first sentiment nature injects in us all.


O telefona toca e interrompe Madame de Saint-Ange (Maria Rohm) que, enquanto lê Philosophie dans le boudoir de Sade, imagina uma cerimónia em que uma mulher é sacrificada.  Do outro lado da linha, a adolescente Eugenie (Marie Liljedahl) está apreensiva quanto à concordância dos pais, em que passe um fim de semana na ilha privada de Madame de Saint-Ange. Apesar do desconhecimento da mãe (María Luisa Ponte), o pai (Paul Muller) entrega Eugenie, em troca de uma tarde de sexo com Madame de Saint-Ange. Na ilha, Eugenie é recebida pela anfitriã e pelo meio-irmão/amante (Jack Taylor), que lhe têm destinado um longo ritual de iniciação sexual. Drogada, a jovem sente-se baralhada, não conseguindo separar o sonho da realidade. Entretanto, chega um grupo de visitantes,  seguidores do Marquês de Sade, que vêm observar e completar o ritual iniciático. O líder do grupo (Christopher Lee) propõe a Eugenie uma vingança pelos actos a que foi sujeita, que se revela como a fase final do processo de corrupção da jovem.

Sade é uma das referências maiores na obra de Jess Franco. Para além das citações dispersas por toda a sua obra, Justine ou les Malheurs de la vertu (1791), La Philosophie dans le boudoir ou Les instituteurs immoraux (1795) e L’Histoire de Juliette, ou les Prospérités du vice (1801) inspiraram directamente o enredo de vários filmes, tendo Franco optado, em muitos deles, por localizar a história em cenários actuais. A primeira incursão nesse universo deu-se com Marquis de Sade: Justine (Deadly Sanctuary, 1968) e no ano seguinte realizaria Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion, ambos com produção de Harry Allan Towers. Com o subtítulo de Dialogues destinés à l'éducation des jeunes demoiselles, a obra La Philosophie dans le boudoir inspirou Franco nos filmes: Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion (1969), Eugénie (1970), Plaisir à trois (1973), Cocktail spécial (1978), Eugenie, Historia de una perversión (1980), Historia sexual de O (The Sexual Story of O, 1981) e Tender Flesh (Carne fresca, 1997). No ciclo Jess Franco: Um Mapa, hoje iniciamos um pequeno destaque aos três Eugenie, que se incluem claramente entre os filmes mais poderosos que Jess Franco realizou.

Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion foi filmado no Mediterrâneo, com o mar e a paisagem a proporem serenidade, como o ponto de partida do caminho rumo à perversão. No entanto, o recorrente sopro do vento cria desconforto e ameaça, lembrando La frusta e il corpo (The Whip and the Body, 1963) de Mario Bava, outro manual sobre a crueldade e a perversão, curiosamente também protagonizado por Christopher Lee. Allan Towers, sob o alter ego Peter Welbeck, escreveu um argumento sedutor e bem resolvido, que surpreende continuamente o espectador quanto ao eventual desfecho. A banda sonora, assinada pelo italiano Bruno Nicolai mistura géneros, da música latina ao jazz, do doce ao trágico, que embalam admiravelmente as diferentes nuances da perda da inocência. No elenco, com vários habituais de Jess Franco, destacam-se Maria Rohm, Jack Taylor e Christopher Lee. Maria Rohm, voltando à frieza e decisão da sua personagem de Paroxismus (Venus in Furs, Jess Franco, 1968), é a chefe de cerimónias que conduz a jovem Eugenie em direcção ao abismo, como se fosse a sua melhor amiga. Tendo protagonizado algumas das melhores obras de Franco, o discreto Jack Taylor confirma ser um valor seguro e prova o quão valiosa é a sua presença para assegurar a qualidade desses títulos. Christopher Lee tem poucas cenas, rodadas durante um fim de semana, mas compõe um papel possante exercido essencialmente a nível da voz, que faz esquecer o excesso que víramos em The Bloody Judge  (Il trono di fuoco, Jess Franco, 1969). Mas o verdadeiro maestro é Jess Franco, que coordena todos os elementos e cria um notável jogo visual, onde até planos mal focados encontram o seu lugar, em quadros que dificultam a separação entre o sonho e o real. Uma caminhada pela educação, corrupção e destruição, em que o sonho não é mais que uma extensão do desejo e do temor. Mas, Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion é, acima de tudo, a visão brutal da criação de uma mulher. A imagem violenta, da transição da adolescência para a idade adulta, em busca da aceitação e da capacidade de participação.

Durante muitos anos inacessível ao grande público, em 2002, a Blue Underground disponibilizou Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion para consumo doméstico. Numa versão sem cortes com características técnicas adequadas, é acompanhada por extras que servem como bons complementos ao visionamento do filme. As notas têm a assinatura do especialista em Jess Franco, Tim Lucas. Perversion Stories reúne entrevistas de Jess Franco, Harry Alan Towers, Marie Liljedahl e Christopher Lee, que tecem considerações em torno do filme. Apesar de o filme ter sido rodado em inglês, esta edição contém uma pista de áudio alternativa, em francês sem legendagem. Convém lembrar que, muitas vezes, os diálogos registavam alterações significativas entre as línguas em que eram dobrados. Neste caso, optamos pela versão em inglês. Uma biografia de Jess Franco, um trailer e uma galeria de posters e imagens rematam esta edição histórica.















Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion (Jess Franco, 1969)



A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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The Bloody Judge: posters e lobby cards


Este material é fruto de um trabalho de pesquisa e selecção da responsabilidade da página
The astounding Dr. Wollmen in the charming planet of the secret wonders.


The Bloody Judge  (Il trono di fuoco, Jess Franco, 1969)



País de origem: Itália
Autor: desconhecido

País de origem: Itália
Autor: desconhecido





País de origem: França
Autor: desconhecido

País de origem: Espanha
Autor: desconhecido





País de origem: Alemanha
Autor: desconhecido

País de origem: Alemanha
Autor: desconhecido




País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido





Lobby card alemão

Lobby card norte-americano




Lobby card italiano




A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.


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The Bloody Judge (Il trono di fuoco)


Michael Reeves morreu prematuramente, aos vinte e cinco anos, mas deixou Witchfinder General (1968), um clássico do cinema de terror inglês que criou um surto de filmes sobre caçadores de bruxas. Nada de novo no tema, pois muito antes tinha havido o notável Häxan (Benjamin Christensen, 1922), mas trazia doses de violência invulgares que o British Board of Film Censors (actual British Board of Film Classification) procurou eliminar com os devidos cortes. Em The Bloody Judge (Il trono di fuoco, 1969), o produtor Allan Towers e Jess Franco pegaram no caso real de um juiz inglês do século XVII, George Jeffreys, e transformaram-no num agente da justiça que utiliza a bruxaria como desculpa para condenações que possam concretizar os seus desejos eróticos e objectivos políticos. Witchfinder General era protagonizado por Vincent Price, pelo que para The Bloody Judge convidaram o, igualmente, icónico Christopher Lee. No que toca à representação da violência para além da decência instituída, e ainda dentro deste tema, também Adrian Hoven, antigo produtor de Jess Franco, lançou um exemplo notório: Mark of the Devil (Hexen bis aufs Blut gequält, Michael Armstrong, 1970). Produzido num castelo-museu austríaco, onde tiveram lugar interrogatórios relacionados com bruxaria, nas filmagens foram utilizados os instrumentos de tortura verdadeiros aí existentes. Quando foi lançado nos cinemas, com a compra do bilhete, para evitar saídas apressadas da sala, ao espectador era oferecido um saco de enjoo.

A acção de The Bloody Judge passa-se em Inglaterra, em 1965, num contexto de confrontos políticos, quando o rei delega em George Jeffreys (Christopher Lee) o poder para julgar e condenar à morte os seus opositores, baseando-se em acusações de bruxaria. Pelo meio, há uma história de amor entre uma suposta bruxa (Maria Rohm) e um descendente (Hans Hass Jr.) de um nobre influente (Leo Genn), envolvido com a oposição política. A produção do filme decorreu em Espanha e Portugal pelo que a Inglaterra retratada ganha familiaridade - perde-se a natureza típica de climas temperados a favor de tons mediterrânicos, enquanto a arquitectura ganha inesperados ornamentos manuelinos. Jess Franco cria uma narrativa corrida, com eficácia na gestão das cenas, em que o modo como é criada a tensão denota uma grande capacidade para envolver o espectador. Quem estiver habituado a um Jess Franco mais intimista, ficará surpreendido com a segurança com que dirige os momentos de acção, em particular as cenas de batalha, cuja encenação esconde bem a limitação dos meios financeiros de produção. Como acontece nas produções de Allan Towers, o elenco é internacional - com destaque para Leo Genn, Maria Rohm, Maria Schell e Howard Vernon -, adequando-se às personagens e não permitindo que as diferentes origens dos actores crie fracturas na linearidade narrativa e na tentativa de fidelização histórica. Quanto a Christopher Lee, desde Dracula: Prince of Darkness (Terence Fisher, 1966), sabemos que não precisa de falar para encher um filme. No entanto, em certas passagens de The Bloody Judge, o seu desempenho quase que roça o cabotinismo, ficando aquém do melhor que fez para Franco. Teríamos de esperar até Eugenie... the Story of Her Journey Into Perversion (1970), em que assenta admiravelmente no papel de um líder fervoroso adepto de Sade. Numa abordagem mais ousada a nível erótico, ainda que não conseguida formalmente, Les démons (Demons, 1973) representa o regresso de Jess Franco à história e cenários de The Bloody Judge.















The Bloody Judge  (Il trono di fuoco, Jess Franco, 1969)



Sobre Christopher Lee e a relação com os outros actores, remetemos para a entrevista de Howard Vernon, parte da publicação Obsession - The Films of Jess Franco (Lucas Balbo, Peter Blumenstock, Christian Kessler, Tim Lucas, 1993), em que afirma: Lee is an incredibly arrogant man and an incredibly bad actor too! If you mention his Dracula roles, he gets very insulted and hates you for ever... Once, when we were shooting in a little Portuguese village, some children found out that the big scary Dracula was there. One of the kids managed to find a magazine with a picture of Lee as Dracula on the cover, and asked him to autograph it. Lee took one look and then tore the magazine to pieces. Isn't that horrible? And yet Christopher Lee is only famous for having played Dracula, he should be grateful he gets recognized at all. He also  used to complain about the actors on these films. Many of them weren't English and spoke with strong accents. He was reluctant to work with those "terrible actors who don't even speak proper English".

A partir de várias fontes, a Blue Underground compôs uma óptima edição, em DVD, de The Bloody Judge que incluiu cenas eróticas e de tortura que foram descartadas noutras versões. Dela fazem parte uma cena, considerada perdida, de Maria Rohm a confortar uma vítima de tortura, enquanto lhe lambe as feridas, e outros momentos de nudez e violência que Christopher Lee considerou como scenes of extraordinary depravity. Outro motivo de interesse desta edição é o documentário Bloody Jess, com entrevistas a Jess Franco e Christopher Lee. Em alternativa, a Blue Underground disponibiliza a caixa The Christopher Lee Collection, composta por quatro filmes protagonizados por Christopher Lee e produzidos por Allan Towers:  The Bloody Judge, The Blood of Fu Manchu (Fu-Manchu and the Kiss of Death, 1967), Castle of Fu-Manchu (Jess Franco, 1968) e Circus of Fear (John Moxey, 1966). Um conjunto de documentários, incluindo o mesmo Bloody Jess, contextualizam os filmes. Uma boa oportunidade para espreitar outros títulos de Jess Franco que, não sendo dos seus melhores, merecem alguma atenção.


A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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