99 Women: posters e lobby cards


Este material é fruto de um trabalho de pesquisa e selecção da responsabilidade da página The astounding Dr. Wollmen in the charming planet of the secret wonders.


99 Women (Jess Franco, 1968)



País de origem: Espanha
Autor: JANO (Francisco Fernández Zarza)

País de origem: Alemanha
Autor: desconhecido





País de origem: Itália
Autor: desconhecido

País de origem: Itália
Autor: MOS (Mario De Berardinis)




País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido

País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido





Lobby card em holandês e italiano
(País de origem não determinado)

Lobby card mexicano




Lobby card norte-americano




A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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99 Women





















99 Women (Jess Franco, 1968)



Um dos primeiros filmes a relatar, mesmo que timidamente, aspectos da vida de uma mulher em cativeiro é Hold Your Man (Sam Wood, 1933), com Jean Harlow e Clark Gable. Tendo em conta o código moral que orientava a produção de Hollywood, Louis B. Mayer, o patrão da Metro-Goldwyn-Mayer, forçou a argumentista Anita Loos a condenar a personagem de Harlow a uma passagem pelo reformatório, onde nascerá o filho, como penitência pela libertinagem sexual. Só depois de controladas as feridas da Segunda Grande Guerra, é que a audiência ficaria suficientemente preparada para receber, sem a consciência pesada, novas criações em torno do tema. Caged (John Cromwell, 1950) é um dos avanços, mas é com Women’s Prison (Lewis Seiler, 1955) que a prisão é relançada como ambiente e que surgem um conjunto de obras que sugerem o nascimento de um novo género: women in prison. Em vez de pequenas sequências como acontecia nos anos 30, a prisão, o reformatório ou qualquer outro espaço de cativeiro tornam-se o palco central da acção, com as rotinas e os jogos de força que geram. Já perto da década de 1970, motivado pela revolução de costumes, dá-se um verdadeiro boom, principalmente na Europa, na produção deste tipo de filmes, agora mais dedicados ao voyeurismo e a explicitar sádicas fantasias sexuais do que ao comentário social. Em 1969, são lançados dois marcos do género, grandes sucessos de público, mas diferentes na abordagem: Love Camp 7 (1969) de Lee Frost e 99 Women (1968) de Jess Franco. Love Camp 7 associa claramente a prisão a ideologias fascistas, lançando o campo de concentração nazi como espaço demente da relação entre dominador e dominado. Mais subtil, 99 Women situa a acção numa hipotética ilha, sem referência a regimes políticos específicos, mas não prescinde da forte componente erótica, uma das marcas definidoras da nova faceta do género.

99 Women segue um grupo de mulheres condenadas à prisão, entre a chegada e a familiarização com os métodos usados para assegurar a disciplina e a ordem. Ao mesmo tempo, entra em cena uma observadora externa (Maria Schell) que vai investigar as condições de vida e a origem da morte de várias presidiárias. O que sucede é um confronto entre duas visões do sistema prisional e em que termos é que a sua incompatibilidade afecta as expectativas e a vida das reclusas. Se, por um lado, a técnica externa entende que a capacidade correctiva não deve ser acompanhada de violência física, por outro, a directora (Mercedes McCambridge) assinala que a instituição existe para enfrentar quem desafiou os limites definidos pela sociedade, impondo-lhe castigos. Seguindo as premissas deste tipo de filmes, a narrativa é instigada pela inocência de uma personagem (Maria Rohm), que, perante a brutalidade do sistema e a impossibilidade de ver reconhecida a ausência de culpa, opta pela fuga. Com um bom elenco internacional, 99 Women é realizado no contexto da parceria que Jess Franco mantinha com o produtor britânico Allan Towers. Mercedes McCambridge - mais conhecida pela Emma Small de Johnny Guitar (Nicholas Ray, 1954) e pela voz do demónio Pazuzu de The Exorcist (O Exorcista, William Friedkin, 1973) - tem um papel que balança bem entre o contido e o histriónico, compondo uma figura temente que gere a prisão com a mesma dedicação da dona de um bordel, como se depreende das palavras do governador (Herbert Lom). Quanto à componente erótica, a insinuante Rosalba Neri, que víramos na semana passada numa cena memorável de Lucky, el intrépido (Lucky, the Inscrutable, 1967), rouba o protagonismo em todas as cenas em que participa, em bons diálogos com a óptima partitura de Bruno Nicolai. Como em muitos filmes de Franco, 99 Women resulta numa visão de um mundo dominado pelas mulheres, que agem como opressoras e vítimas, e aos homens é entregue o papel passivo, num jogo que os ultrapassa.

Uns anos depois da estreia, 99 Women conheceu uma versão porno intitulada Les brûlantes, com o selo da produtora francesa CFPC (Comptoir français de productions cinématographiques) de Robert de Nesle. Trata-se de uma nova montagem atribuída a Bruno Mattei, com inserts hardcore, trocas nos diálogos, omissão e inclusão de cenas e mudanças na utilização da banda sonora. Mattei filmou também os inserts com outros actores, esquartejando sem atenção ao raccord, de um modo intrusivo que não respeita a restante atmosfera. Em abono da verdade, parecem mais clipes retirados de outros filmes da produtora e que foram adicionados, à pressa, a Les brûlantes. A música usada no strip-tease sofisticado de Rosalba Neri, torna-se no fundo sonoro de todos os inserts, conspurcando insistentemente um tema belíssimo com imagens de qualidade muito duvidosa. O feito épico de Mattei é deitar fora uma das melhores cenas de 99 Women, o flashback surreal de Maria Rohm que mostra a sua violação, e substituí-lo por uma cena amadora em que um velho se rebola em cima de uma rapariga. Les brûlantes vem assinalado como uma versão "uncut" de 99 Women, o que não parece correcto pois é uma apropriação abusiva do trabalho de Franco. Se há algo que lhe temos de agradecer é o facto de se tornar num óptimo documento das patifarias que os produtores europeus andaram a fazer, durante anos, a muitos filmes estimáveis. Interessa ver e crer, até que ponto ia a gulosice dos produtores e distribuidores, numa exploração intensiva dos produtos que lhes chegavam às mãos. A Blue Underground planeou uma edição conjunta em DVD das duas versões. Posteriormente, desistiu da ideia e os filmes foram editados em separado, sem Les brûlantes obter o logotipo da editora. 99 Women apresenta-se numa edição cuidada, com boa qualidade tecnica. Nos extras, tem Jess’ Women, uma entrevista com Jess Franco a discutir detalhes do filme, incluindo a versão francesa que acabámos de referir. Um trailer e três cenas não utilizadas na montagem final completam a edição.

Não foi Jess Franco que criou o género women in prison, mas é certo que deu uma grande ajuda para o seu estabelecimento, com o grande sucesso público de 99 Women e, uns anos depois, com uma série de variantes: Quartier de femmes (Lovers of Devil's Island, 1972), Des diamants pour l'enfer (Women Behind Bars, 1975), Frauengefängnis (Barbed Wire Dolls, 1975), Greta - Haus ohne Männer (Wanda, the Wicked Warden, 1977), Frauen für Zellenblock 9 (Women in Cellblock 9, 1977), Frauen im Liebeslager (Love Camp, 1977) e Sadomania - Hölle der Lust (1980). Os quatro filmes da segunda metade da década de 1970 foram realizados para a produtora Elite Film do suiço Erwin C. Dietrich, como meros instrumentos de exploração sexual, situados muitos furos abaixo do melhor de Franco, mas contendo alguns pormenores que importa reter. Antes de mais, a ligação de alguns deles a Portugal. A vegetação luxuriante dos jardins tropicais de Lisboa e de Sintra fornecem o cenário, nem sempre convincente para o público português familiarizado com os locais, dos países tropicais indefinidos que pretendem retratar. Frauengefängnis é a recriação mais próxima da narrativa de 99 Women, enquanto Greta - Haus ohne Männer retoma a protagonista, Dyanne Thorne, e a personagem do clássico do género Ilsa, She Wolf of the SS (Don Edmonds, 1975), do qual Erwin C. Dietrich detinha os direitos. Em Frauen für Zellenblock 9, o melhor é Howard Vernon que regressa como um sádico responsável por torturas arrepiantes, ainda hoje dificeis de digerir. Se algo de relevante fica destes filmes, é enquanto testemunhos de uma época com grande apetite para a transgressão, antecipando algum torture porn da década de 2000. Dietrich apostou nestes filmes, perante a dificuldade de os imaginários nazis de Ilsa entrarem no mercado alemão. A adesão pública nesse país foi notória, com alguns títulos a tornarem-se nos mais vistos, nos anos em que foram estreados. Algo que não ajudou, certamente, para a reputação de Jess Franco, impondo-os para as gerações da época e futuras como a imagem do seu trabalho. Portugal como destino de filmagens não era algo novo para Franco, onde tinha trabalhado intensivamente no início dessa década. A viver um período pós-revolucionário, às condições de produção baratas unia-se uma natureza exuberante e o acesso facilitado a palácios e casas senhoriais. Ainda para a Elite Film, foi aqui que realizou os bem mais interessantes Die Marquise von Sade (Doriana Gray, 1976) e Die Liebesbriefe einer portugiesischen Nonne (Cartas de Amor de Uma Freira Portuguesa, 1976), o célebre filme "pornografico" rodado em monumentos e com vedetas nacionais em começo de carreira. Rodado noutra latitude, há a destacar Jack the Ripper - der Dirnenmörder von London (1976), o último filme de Franco protagonizado por Klaus Kinski.


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You're Next de Adam Wingard no MOTELx 2013


































You're Next (Adam Wingard, 2011)



O MOTELx 2013 decorre entre 11 e 15 de Setembro no Cinema São Jorge, em Lisboa, e já tem confirmada a programação. Para além das homenagens a Tobe Hooper, Ray Harryhausen e Hideo Nakata, vai haver The Conjuring (2013) de James Wan, Kiss of the Damned (2012) de Xan Cassavetes, The Lords of Salem (2012) de Rob Zombie, Maniac (2012) de Franck Khalfoun, Chained (2012) de Jennifer Lynch, Byzantium (2012) de Neil Jordan e The Battery (2012) de Jeremy Gardner. Mas o nosso destaque principal vai para um dos mais talentosos realizadores do cinema de terror da actualidade: Adam Wingard. Estará presente com o muito aguardado You're Next (2011) - que estreia esta semana nos Estados Unidos e do qual se tem falado aqui insistentemente - e como participante nas antologias V/H/S/2 (2013) e The ABCs of Death (2012). A programação completa do MOTELx 2013 pode ser consultada aqui.

Segundo um argumento de Simon Barrett, You're Next propõe reinventar o género home invasion, expondo a resposta de uma família reunida na casa de férias, quando é atacada por um grupo de mascarados. No entanto, a fragilidade da família é aparente pois um dos seus novos membros revela-se, não só um opositor difícil de abater, como também uma força capaz de superar as capacidades violentas dos assassinos. You're Next foi visto pela primeira vez no TIFF 2011, aclamado pela crítica especializada norte-americana, mas, devido a problemas de fusão com outro estúdio, a Lionsgate manteve-o em lista de espera durante dois anos. Em Janeiro, iniciou uma campanha publicitária brilhante (ver aqui) e as projecções apontam para que neste fim de semana atinja o topo do box-office norte-americano, ainda que seja referido como um slasher pouco habitual. É previsível que estreie nas salas portuguesas se forem confirmadas as expectativas quanto ao número de espectadores que obterá nos Estados Unidos. Um caso para seguir com atenção, nomeadamente quanto à forma como Adam Wingard reagirá a toda esta pressão mediática depois da excelente obra intimista A Horrible Way to Die  (2010).

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Jess Franco na Cinemateca Francesa


Em 2008, na Cinemateca Francesa, a obra de Jess Franco foi alvo de uma mostra alargada. Esta foi a lista dos filmes apresentados:

077 - OPERATION SEXY - JESS FRANCO
LES AMAZONES DE LA LUXURE (MACISTE CONTRE LA REINE DES AMAZONES) - CLIFFORD BROWN (JESS FRANCO)
THE BLOOD OF FU MANCHU - JESS FRANCO
BLUE RITA (LE CABARET DES FILLES PERVERSES) - JESS FRANCO
LES BRULANTES - JESS FRANCO
ÇA BARDE CHEZ LES MIGNONNES - JESS FRANCO
CAMP EROTIQUE (CAMP D'AMOUR POUR MERCENAIRES) - JESS FRANCO
CARTES SUR TABLE - JESS FRANCO
THE CASTLE OF FU-MANCHU - JESS FRANCO
LES CAUCHEMARS NAISSENT LA NUIT - JESS FRANCO
CHASSE A LA MAFIA - JESUS FRANCO (JESS FRANCO)
CHRISTINA PRINCESSE DE L'EROTISME / UNE VIERGE CHEZ LES MORTS-VIVANTS - JESS FRANCO
LA COMTESSE AUX SEINS NUS / LES AVALEUSES - J.P. JOHNSON (JESS FRANCO)
LA COMTESSE PERVERSE / LES CROQUEUSES - CLIFFORD BROWN (JESS FRANCO)
LE CRI D'AMOUR DE LA DEESSE BLONDE - JESS FRANCO
CRIMES DANS L'EXTASE - FRANK HOLLMANN (JESS FRANCO)
LA CRYPTE DES FEMMES MAUDITES - JESS FRANCO
CUADECUC - PERE PORTABELLA
DANS LES GRIFFES DU MANIAQUE - JESS FRANCO
LES DEMONS DU SEXE - CLIFFORD BROWN (JESS FRANCO)
DES FRISSONS SUR LA PEAU (TENDRE ET PERVERSE EMMANUELLE) - J.P. JOHNSON (JESS FRANCO)
DEUX SOEURS VICIEUSES - JESS FRANCO
DON QUIJOTE PAR ORSON WELLES - JESS FRANCO
DR. WONG'S VIRTUAL HELL - JESS FRANCO
DRACULA PRISONNIER DE FRANKENSTEIN - JESS FRANCO
LES EBRANLEES / LA MAISON DU VICE - CLIFFORD BROWN (JESS FRANCO)
ESCLAVES DE L'AMOUR / FRAUEN FÜR ZELLENBLOCK 9 - JESS FRANCO
EUGENIE - JESS FRANCO
LES EXPERIENCES EROTIQUES DE FRANKENSTEIN - JESS FRANCO
FALSTAFF - JESS FRANCO, ORSON WELLES
FEMMES EN CAGE (FRANCO) - JESUS FRANCO (JESS FRANCO)
LA FILLE DE DRACULA - JESS FRANCO
LES GLOUTONNES / LES EXPLOITS EROTIQUES DE MACISTE DANS L'ATLANTIDE - CLIFFORD BROWN (JESS FRANCO)
L'HORRIBLE DOCTEUR ORLOF - JESS FRANCO
LES INASSOUVIES - JESS FRANCO
LES INFORTUNES DE LA VERTU - JESUS FRANCO (JESS FRANCO)
JACK L'EVENTREUR (FRANCO) - JESUS FRANCO (JESS FRANCO)
LE JAGUAR - JESS FRANCO
KILLER BARBYS VS. DRACULA - JESS FRANCO
KISS ME MONSTER - JESS FRANCO
LETTRES D'AMOUR D'UNE NONNE PORTUGAISE - JESS FRANCO
LOS OJOS SINIESTROS DEL DR ORLOFF - JESS FRANCO
LES MAITRESSES DU DR. JEKYLL - JESS FRANCK (JESS FRANCO)
MARIQUITA, FILLE DDE TABARIN / LA BELLE DE TABARIN - JESS FRANCO
MIDNIGHT PARTY / LA PARTOUZE DE MINUIT - JESS FRANCO
LE MIROIR OBSCENE - JESS FRANCO
NECRONOMICON - JESS FRANCO
NEVROSE / LA CHUTE DE LA MAISON USHER - JESS FRANCO
LES NUITS BRULANTES DE LINDA / MAIS QUI DONC A VIOLE LINDA? - J.P. JOHNSON (JESS FRANCO)
LES NUITS DE DRACULA - JESS FRANCO
OPERATION LEVRES ROUGES - JESS FRANCO
LE PENITENCIER DES FEMMES PERVERSES - JESS FRANCO
PLAISIR A TROIS - CLIFFORD BROWN (JESS FRANCO)
LE PORTRAIT DE DORIANA GRAY - JESS FRANCO
LES PREDATEURS DE LA NUIT - JESS FRANCO
LES PUTAINS DE LA VILLE BASSE - WOLFGANG FRANK (JESS FRANCO)
QUARTIER DE FEMMES - JESS FRANCO
ROTE LIPPEN, SADISTEROTICA - JESS FRANCO
LE SADIQUE BARON VON KLAUS / LE SADIQUE - JESS FRANCO
LE SADIQUE DE NOTRE DAME - J.P. JOHNSON (JESS FRANCO)
SHINING SEX / LA FILLE AU SEXE BRILLANT - DAN L. SIMON (JESS FRANCO)
SNAKEWOMAN - JESUS FRANCO (JESS FRANCO)
TENEMOS 18 ANOS - JESS FRANCO
LE TRONE DE FEU - FRANCO MANERA (JESS FRANCO)
VAMPIRE BLUES - JESS FRANCO
VAMPIRE JUNCTION - JESS FRANCO
VAMPIROS LESBOS / SEXUALITE SPECIALE - FRANCO MANERA (JESS FRANCO)
VENUS IN FURS - JESS FRANCO

Fonte: Cinémathèque Française


Seguem dois vídeos que registam momentos de contacto do realizador com o público. No primeiro, na abertura da retrospectiva com Necronomicon - Geträumte Sünden (Succubus, 1967), o director de programação da Cinemateca Francesa, Jean-François Rauger, faz uma introdução à obra, seguida de declarações de Jess Franco. O segundo contém extractos de uma conversa com Franco e Lina Romay, moderada por Jean-François Rauger, Jean-Pierre Bouyxou e Stéphane du Mesnildot, depois da projecção de La Comtesse Noire (Female Vampire, 1973).








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Lucky, el intrépido: posters e lobby cards


Este material é fruto de um trabalho de pesquisa e selecção da responsabilidade da página The astounding Dr. Wollmen in the charming planet of the secret wonders.


Lucky, el intrépido (Lucky, the Inscrutable, Jess Franco, 1967)



País de origem: Espanha
Autor: Marco

País de origem: Itália
Autor: desconhecido





País de origem: Itália
Autor: desconhecido

País de origem: Alemanha
Autor: desconhecido




Lobby card italiano





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Lucky, el intrépido (Lucky, the Inscrutable)


Com orçamentos bem mais modestos, alguma produção cinematográfica europeia especializou-se em versões de géneros e filmes, financiados ou apoiados por Hollywood, que faziam sucesso no mercado internacional. Foi isso que aconteceu, em meados da década de 1960, com a estreia de Goldfinger (Guy Hamilton, 1964) e o aparecimento de uma vaga de filhos bastardos de 007, coincidente com a transição entre o peplum e o western spaghetti. O fenómeno ficaria conhecido como eurospy e contou com realizações de notáveis experimentadores de géneros, como Antonio Margheriti ou Umberto Lenzi. Jess Franco contribuiu com vários projectos novos e a repescagem de La muerte silba un blues (1962), que ganhou os títulos de 077 Operation Jamaica e 077 Operation Sexy (apesar de não ter nada a ver com o famoso espião), e a adaptação no nome do protagonista, de Conrado San Martín para Sean Martin. Em 1965, para Tulio Demicheli, Jess Franco escrevera o argumento de Misión Lisboa (1965), numa nova tradução de La muerte silba un blues. Mas é com Cartes sur table (Attack of the Robots, 1966) e Residencia para espías (Residence for Spies, 1967) que entra no campo da paródia e assina em nome próprio dois veículos para Eddie Constantine, num momento em que o género conhece um notável florescimento com produções italianas, francesas, alemãs e espanholas. Cartes sur table, ainda a preto e branco, é uma história de Jean-Claude Carrière, que dá a conhecer pela primeira vez Al Pereira, uma personagem recorrente em Franco. O mundo está a ser ameaçado por robots com aspecto humano, que lançam ataques a figuras públicas, e o distinto agente Al Pereira (Eddie Constantine) é enviado a Alicante para deter a ameaça, enquanto cai nas graças de todas as mulheres e foge da garra de agentes secretos chineses. Franco retomaria esta história para a comédia Viaje a Bangkok, ataúd incluido (2005). Em Cartes sur table, a espionagem conhece elegantes aproximações à ficção cientifica, ao jeito de Miss Muerte (The Diabolical Dr. Z, 1965), também escrito por Jean-Claude Carrière. Numa homenagem divertidíssima ao seu realizador favorito, Jess Franco filma Eddie Constantine a galar Sophie Hardy, enquanto um microfone anuncia a exibição de Alphaville (Jean-Luc Godard, 1965), protagonizado também pelo actor, como agente secreto. Filmado em Istambul, Residencia para espías é o primeiro filme de Jess Franco a cores. Eddie Constantine regressa ao serviço de agente secreto, agora como Dan Leyton mas com o mesmo poder de sedução sobre as mulheres. Quando verificamos que a missão o leva a instalar-se numa residência de belas espias, onde é o único homem, para além do porteiro, podemos antecipar o resultado. Há uma pequena cena em Lisboa, no Elevador de Santa Justa, onde Howard Vernon é assassinado, que seria filmada mais tarde durante a produção de Necronomicon - Geträumte Sünden (Succubus, 1967). Um traço habitual em Franco, que, à revelia dos produtores e actores, aproveitava para rodar cenas que incluiria noutros filmes. Para além da presença marcante de Eddie Constantine, Residencia para espías é o desejado regresso de Diana Lorys, que tínhamos visto em Gritos en la noche (The Awful Dr. Orlof, 1961). Não foi possível localizar edições de Residencia para espías, mas Cartes sur table encontra-se num lançamento em DVD da francesa Gaumont. Tendo boa qualidade no som e na cor, o áudio é apenas em francês, com a possibilidade de obter legendagem na mesma língua. A versão editada é um pouco mais longa do que aquela que é conhecida no mercado anglo-saxónico.




















Lucky, el intrépido (Lucky, the Inscrutable, Jess Franco, 1967)



Se Cartes sur table e Residencia para espías podem ser considerados subversivos em relação ao modelo que pretendem invocar, Lucky, el intrépido (Lucky, the Inscrutable, 1967) é um Jess Franco de outra têmpera. Sem freios, numa paródia vibrante aos filmes de agentes secretos e super-heróis, mas com um orçamento tão limitado que obriga a recorrer a soluções verdadeiramente engenhosas. Lucky (Ray Danton) é um super agente, trapalhão mas muito dono de si, contratado para destruir uma organização que controla uma fábrica de dinheiro falso. O que não é mais que um pretexto para viajar pelo mundo e arrasar o coração de muitas mulheres. Uma história aparentemente banal e indistinta de tantas outras que invadiam as telas da época, mas que, em plena Guerra Fria, mostra um Franco mais interessado em míticas sociedades secretas que querem dominar o mundo do que nas movimentações geopolíticas inspiradas no real. Trata-se de uma narrativa que evolui em forma de sátira às convenções do género e que, chegando a tocar o slapstick, nunca fere a inteligência do espectador. Numa linguagem derivada da arte pop, Ray Danton compõe um boneco animado que parece saído de uma banda desenhada, criada sob o efeito de acido. Em certos momentos, são mesmo as pranchas e os balões que invadem os planos. O delírio é constante, pelo que custa destacar cenas, mas não podemos evitar de referir a do mercado dos segredos, em que numa rua de Roma, ao lado do Coliseu, agentes de todo o mundo oferecem, uns aos outros, troca de segredos. É o co-financiamento italiano do filme que assegura a participação de Bruno Nicolai - menos conhecido que Ennio Morricone, mas um grande maestro das bandas sonoras feitas a partir de Itália -, numa  partitura perfeita que impede qualquer quebra no ritmo imparável. Lucky, el intrépido é um filme raro, cujo visionamento é quase exclusivamente feito a partir de cópias digitais transferidas de antigas cassetes VHS. Injustamente, pois é o maior divertimento saído da mente extravagante de Jess Franco e que deveria ser obrigatório apresentar, como complemento, de qualquer ciclo de filmes sobre Bond, James Bond.




















Lucky, el intrépido (Lucky, the Inscrutable, Jess Franco, 1967)



O sucesso de Lucky, el intrépido leva o produtor alemão Adrian Hoven e a sua produtora Aquila Film a assinar com Jess Franco um contrato para três filmes, com Janine Reynaud como cabeça de cartaz. O primeiro foi Necronomicon, já aqui destacado como um improvável filme de espionagem. Os outros dois são Bésame monstruo (Küss mich, Monster; Kiss Me Monster, 1967) e El caso de las dos bellezas (Sadisterotica, Two Undercover Angels, 1967), recriações das duas personagens principais de Labios Rojos (1960). A Blue Undergound juntou os dois filmes numa edição em DVD, numa transferência com um bom tratamento do som e da cor e que conta com duas entrevistas de Franco. Algo datados e sem o brio dos exemplos citados acima, são curiosidades por se centrarem em duas femmes fatales, mas a desastrada dobragem para inglês retira o salero das línguas originais e os orçamentos baixos posicionam-nos como cópias menores dos modelos que pretendem parodiar. A data em que foram lançados originalmente, também corresponde à perda de frescura do género eurospy e em que era a invenção do western spaghetti que recolhia o interesse do público. Jess Franco declarou que nunca tinha feito um western. A única aproximação que se lhe conhece é em El llanero (1963), onde parece mais concentrado em desenvolvimentos amorosos do que em tiros e corridas de cavalos. Apesar deste aparente desinteresse pelo género, importa destacar o seu envolvimento em dois exemplos prematuros de western na Europa: foi assistente de realização e co-escreveu o argumento de El Coyote (Joaquín Luis Romero Marchent, 1955) - ao qual se atribui influência na trilogia dos dólares de Sergio Leone - e de La Justicia del Coyote (Joaquín Luis Romero Marchent, 1956).


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Paroxismus: posters e lobby cards


Este material é fruto de um trabalho de pesquisa e selecção da responsabilidade da página The astounding Dr. Wollmen in the charming planet of the secret wonders.


Paroxismus (Venus in Furs, Jess Franco, 1968)



País de origem: Itália
Autor: MOS (Mario De Berardinis)

País de origem: Itália
Autor: MOS (Mario De Berardinis)





País de origem: Itália
Autor: desconhecido

País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido





País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido

País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido





Lobby card norte-americano




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Paroxismus (Venus in Furs)




















Paroxismus (Venus in Furs, Jess Franco, 1968)



A interrogação, Può una morta rivivere per amore?, que interpela o espectador no cartaz italiano de Paroxismus (Venus in Furs, 1968), intenta sugerir o mote do filme, mas esconde a força principal que move essa vontade de reviver: a vingança. Não é que o amor seja um simples adorno na trama, mas declara-se incapaz de sobreviver, face à obsessão que a protagonista nutre pela vingança. Num argumento de Jess Franco e Malvin Wald, Maria Rohm (mais bela que nunca, jazendo nua na areia da praia) é Wanda Reed, uma morta  que regressa à vida para se envolver com o homem que a desejara, James Darren, e se vingar dos seus assassinos, Klaus Kinski, Dennis Price e Margaret Lee, numa viagem por Istambul e Rio de Janeiro. Com a escolha do nome Venus in Furs para a distribuição internacional, os produtores pretendiam colocar o filme como um herdeiro directo da conhecida obra de Leopold von Sacher-Masoch. Não foi isso que entendeu Jess Franco, que gostaria que o filme se chamasse Black Angel, atribuindo a origem do argumento a uma conversa que tivera com o músico de jazz Chet Baker, de onde saiu a ideia de um caso amoroso entre um trompetista negro e uma mulher branca. Os produtores opuseram-se, argumentando que a América do Norte não aceitaria ver um homem negro na cama com uma mulher branca, mas concordaram que pudesse ser trocada a cor da pele aos dois elementos da história. Deste modo, nasce Paroxismus, numa tentativa de equilíbrio entre as diferentes expectativas, em que o teor da conversa com Baker serve para um arco narrativo secundário e a novela de Leopold von Sacher-Masoch inspira o nome da protagonista e os quadros relativos ao prazer erótico derivado de dor e humilhação.

Entre os fiéis de Jess Franco, Paroxismus não é uma obra consensual. Muitos apontam para o excesso de imagens do Carnaval do Rio de Janeiro e para o uso de técnicas de manipulação da imagem, associadas à época, como a cobertura total do plano com cores psicadélicas e o uso da slow motion. O produtor Allan Towers, companheiro de Maria Rohm, foi acusado de ser o principal responsável, por ter interferido em demasia na produção. Quando morreu em 2009, a imprensa apelidou-o de guru da série B. Apesar de lhe serem apontadas actividades ilegais pelas quais esteve preso, ligações indirectas a espionagem e a fugas ao fisco, Jess Franco considerou-o como um dos poucos produtores que respeitava. Towers especializou-se em filmes de baixo orçamento, resultado de adaptações de histórias populares de Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Edgar Wallace ou Sax Rohmer. Foi pioneiro na escolha de locais exóticos para as filmagens, procurando aliar extravagância a condições económicas de produção. Para o cinema de Jess Franco, trouxe actores carismáticos europeus, Christopher Lee e Klaus Kinski, e assegurou mercados para a distribuição dos filmes. Acusar Allan Towers pelo fracasso de filmes é abordar parcialmente a questão. É certo que com Towers, Franco fez alguns dos seus filmes mais acessíveis, mas ainda assim pôde dedicar-se a outros bem peculiares. A começar por Paroxismus, que é comovente como poucos dos seus filmes e ao mesmo tempo uma elaborada fantasia pop em tons psicadélicos, que aponta para cenários oníricos intemporais. Embora pesem as diferenças de estilo, hoje, ao ver Paroxismus pela primeira vez, é reviver fantasmas com que David Lynch assombra a sua obra. Antes de mais, o jazz que povoa todo o filme, em cruzamentos viciantes com hinos pop; e as cores azul e vermelho que mancham os cenários, os adereços e até os olhos de Klaus Kinski. Lembramo-nos de Laura Palmer, quando a água do mar devolve os corpos mortos à areia da praia; da angústia dos condenados de Lost Highway (1997), ao descobrirem que, há muito, não são mais que espectros afastados do mundo dos vivos; do Black Lodge, no espaço a que Wanda acede quando morre, pela segunda vez, e encontra as suas vítimas e um velho que balbucia palavras indecifráveis para um ocidental. E não falta a loura a transformar-se em morena. Que também pode ser a morena a transformar-se em loura.

Paroxismus (...Può una morta rivivere per amore?), a versão italiana de Paroxismus, como no caso de Necronomicon/Delirium, tem mudanças significativas em relação à cópia internacional, assemelhando-se quase a um novo filme. Editado por Bruno Mattei, perde a tintagem de efeitos psicadélicos usada em alguns dos planos e a marcante voz off de James Darren, e inclui mudanças na música e cenas filmadas por Franco que não aparecem na versão internacional. A edição em DVD que recomendamos é da Blue Underground, uma das casas mais mencionadas neste ciclo e que tem feito um trabalho meritório na recuperação dos clássicos do cinema de terror europeu, através de boas transferências e a inclusão de extras apetitosos. Neste caso, a cópia refere-se à versão internacional e inclui um ensaio de Tim Lucas, sobre a obra de Jess Franco, e duas entrevistas:  Jesus in Furs, com Franco a explicar o processo de cedências aos distribuidores; e um áudio de Maria Rohm, acompanhado por imagens de produção, sobre as relações de trabalho com o realizador e os actores.

A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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Necronomicon: posters e lobby cards


Este material é fruto de um trabalho de pesquisa e selecção da responsabilidade da página The astounding Dr. Wollmen in the charming planet of the secret wonders.


Necronomicon - Geträumte Sünden (Succubus, Jess Franco, 1967)



País de origem: Alemanha
Autor: desconhecido

País de origem: França
Autor: desconhecido





País de origem: Turquia
Autor: desconhecido

País de origem: Itália
Autor: desconhecido





País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido

País de origem: Estados Unidos da América
Autor: desconhecido




País de origem: Japão
Autor: desconhecido






Lobby card alemão

Lobby card norte-americano





A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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Necronomicon - Geträumte Sünden (Succubus)





















Necronomicon - Geträumte Sünden (Succubus, Jess Franco, 1967)



Na segunda metade da década de 1960, com o fim da fase das obras a preto e branco, Jess Franco dedicou-se a uma série de paródias aos filmes de espionagem e mistério, estilo James Bond, que tanto sucesso faziam no mercado. Isto sucedia através do apoio de produtores internacionais, o que lhe permitia melhorar os orçamentos - ainda que, comparativamente com outros realizadores, continuassem em níveis mínimos - e rodar noutros países, longe do cerco da censura espanhola. Ainda que seja um improvável filme de espionagem, Necronomicon - Geträumte Sünden (Succubus, 1967) só pôde acontecer com a chegada de capitais de fora de Espanha e o crescente apetite do público pelo exotismo dos locais. Durante as filmagens em Lisboa, perante a possibilidade de esgotar antecipadamente o financiamento, Jess Franco e o produtor Adrian Hoven convidaram o milionário alemão Pier A. Caminnecci para visitar o local de trabalho, numa tentativa de arranjar meios para terminar o filme. Caminnecci ficou encantado com a actriz principal, Janine Reynaud, e acedeu a participar na produção. Entretanto, iniciou uma ligação amorosa com a actriz, com o consentimento do marido Michel Lemoine, um dos actores (falecido durante esta semana), visto que era a via para garantir os fundos para a produção. Ainda assim, as filmagens continuaram imprevisíveis pois o guião inicial era mínimo, a partir de um texto medieval, e era durante a noite que Franco escrevia, em espanhol, os diálogos do dia seguinte e que o actor Jack Taylor os traduzia para inglês. Finda a produção, Caminnecci criou a sua própria versão, que distribuiu nos Estados Unidos com o nome de Succubus e um grande sucesso de público, e acordou a sua exibição no Festival de Cinema de Berlim. Fritz Lang considerou Necronomicon uma obra-prima do cinema erótico. Nos Estados Unidos, os meios de comunicação aderiram entusiasticamente, com a ajuda do cartaz que alertava para o conteúdo adulto, e Janine Reynaud transformou-se num símbolo sexual para as revistas dirigidas ao público masculino.

A primeira cena de Necronomicon é uma performance de Lorna (Janine Reynaud) num clube nocturno, simulando actos de sedução, tortura e morte sobre duas vitimas. Depois, em modo flashback, saltamos para Lisboa, que o amante de Lorna (Jack Taylor) chama de "misteriosa" e onde permaneceremos durante a maior parte do filme. Lorna atravessa a cidade, deambulando entre a fantasia e a realidade, incapaz de perceber de que modo seria responsável por várias mortes violentas. Mora na decadência das casas senhoriais e dos palácios lisboetas e é aí que regressará depois de uma passagem pelo modernismo e sofisticação de Berlim. Em planos alternados, Lisboa é filtrada pela câmara de Franco, criando uma espécie de névoa e dando forma ao ambiente onírico que aprisiona Lorna - que o considera sufocante, como que num grito para se libertar desse mundo fantasioso. Inspirado pelos movimentos libertários da época, Necronomicon é mais que uma trip em forma de filme. Franco dá pistas sobre as suas influências culturais, sendo isso mais evidente no jogo divertido de associação de palavras entre Janine Reynaud e Howard Vernon, e desvenda a radicalização estilística em que se empenharia nos anos 70. Sem grande preocupação com a história, persegue um mundo que escapa à lógica e que aposta na experiência sensorial. Se nos é permitido utilizar a palavra obra-prima na obra de Jess Franco, eis que é chegado o momento.

Mais uma vez, foram criadas diversas versões de Necronomicon, com diferenças em relação ao que o Jess Franco tinha idealizado. Para além das mudanças no tratamento do material erótico, na versão alemã o final é feito com o ecrã a negro, durante alguns minutos, sob um pedaço da banda sonora, de forma a suavizar a saída do filme. Numa outra versão mais curta, também dirigida ao mercado americano mas aparentemente diferente da de Caminnecci, para evitar o selo X foram cortadas partes da primeira performance no clube e na morte de uma das personagens. Em Itália, o filme foi lançado com o nome de Delirium, procurando ligações mais óbvias com o cinema de terror. Num novo final (aqui), atribuído a Bruno Mattei, vemos a cara de Lorna transformar-se numa caveira, antes de se lançar de uns penhascos para a morte. A versão que sugerimos é a alemã, mais rara mas que parece ir de encontro ao planeado pelo realizador. A alemã Lazer Paradise lançou esta versão, em DVD, mas não conseguimos obter mais esclarecimentos sobre o material incluído e as condições técnicas da edição. Em alternativa, existe um DVD da Blue Underground, com uma duração próxima da versão alemã, pequenas variações em algumas das cenas e sem o final a negro; dobrada em inglês, em formato widescreen e com um bom tratamento do som e da cor. Nos extras tem From Necronomicon To Succubus, uma entrevista com Jess Franco, onde em vinte e dois minutos são explicadas as suas influências e decisões na feitura do filme. Numa outra entrevista, Back In Berlin, à volta dos locais de filmagem em Berlim, o actor Jack Taylor fala do seu relacionamento com o realizador e com os outros actores. Um trailer completa esta edição.





















Necronomicon - Geträumte Sünden (Succubus, 1967)



A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there.

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Finalmente! Ti West em Portugal














 

The Innkeepers (Hóspedes Indesejados, Ti West, 2011)



Não sejamos comedidos nas palavras: Ti West é um dos realizadores de cinema de terror mais importantes da actualidade. Após a sua passagem pelo MOTELx, com The House of the Devil (2009) e como parte da antologia V/H/S (Adam Wingard, David Bruckner, Ti West, Glenn McQuaid, Joe Swanberg, Radio Silence, 2012), chega esta semana às salas portuguesas The Innkeepers (Hóspedes Indesejados, 2011), muito depois de ter estreado no South by Southwest Film Festival 2011 e sido lançado em DVD e Blu-ray. A estreia acontece em Portugal com dois anos de atraso, num momento em que muito do público-alvo já o visionou, a partir de formatos alternativos à distribuição em sala, e em que toda a atenção está concentrada no lançamento do seu novo filme, The Sacrament (2013), na secção Midnight Madness do próximo Toronto International Film Festival (TIFF), em Setembro. Assim, vale a pena recordar o que escrevemos sobre The Innkeepers e a distribuição de cinema em Portugal, para o balanço do ano de 2012.

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Analisando a lista que criámos com os filmes marcantes do ano que findou, dá que pensar o facto de grande parte deles não terem sido (ainda) distribuídos em Portugal. A Cinemateca Portuguesa, os festivais, o formato DVD ou a divulgação online apresentaram-se como os recursos preferenciais para quem quer ver bom cinema em Portugal, sem estar cingido às escolhas dos distribuidores. Não nos venham então com a lamuria do costume relativa ao decréscimo do número de entradas no cinema pois foram as estratégias distorcidas de distribuição que contribuíram decisivamente para o afastamento do público das salas e permitiram que se instalassem de forma definitiva hábitos alternativos de consumo. Não falamos apenas de obscuros cineastas independentes mas também de Francis Ford Coppola que depois de ter ganho óscares e de ter levado um estúdio à falência, trabalha agora dentro de um modo de produção que, comparativamente, poderíamos caracterizar como familiar. É a ele que hoje o sistema recusa distribuir os filmes, depois de, na década de 1970 como parte dos movie brats, ter alimentado o motor que implantou o conceito moderno de blockbuster. E o que dizer do caso de Aleksandr Sokurov, de quem o celebrado Faust já teve estreia, há mais de um ano, no Festival de Veneza 2011? Até poderíamos estar a ser injustos e todos estes filmes já terem estreias planeadas para as próximas semanas ou meses. Mas sendo assim, como os enquadrar numa estratégia eficaz de distribuição, sabendo que parte do seu público potencial já os visionou?

Outro dos grandes desconhecidos do público português é o jovem realizador norte-americano Ti West. Tem uma obra surpreendentemente coesa dentro de um dispositivo que, por facilidade de linguagem, se resolveu apelidar de slowburning. West demonstra ter uma consciência elevada dos mecanismos do medo, aliando ritmo lento a um delicado trabalho em torno das personagens, algo que parece estranho ao género de terror, mais habituado aos gritos e ao gore. A ironia é que o resultado apresenta-se, crescentemente, tenso e perturbador, longe da anestesia que o "ruído" da maior parte do cinema de terror contemporâneo provoca no espectador. Depois de revisitar a década de 1980 com The House of the Devil (2009), em The Innkeepers, Ti West ressuscita uma das estrelas da época, Kelly McGillis,  e junta-a à deliciosa Sara Paxton numa viagem pelos últimos dias de um hotel que parece assombrado. Durante grande parte do filme diríamos estar face a uma comédia subtil, o que levou vários críticos irritados a referir que não se passava nada. Ainda bem. Apesar de o termos visto logo em Janeiro, The Innkeepers manteve-se inabalável no topo da nossa lista de preferências até aos últimos dias de 2012, altura em que estreou... (link)

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De Twixt (Francis Ford Coppola, 2011) não há novidades. Faust (2011) teve um lançamento discreto há uns meses e The Innkeepers chega agora desamparado, sem que a distribuidora dê sinal de vontade (ou saber) de rentabilizar o excelente produto que tem em mãos.

The House of the Devil (Ti West, 2009)



Ti West faz parte de um grupo de cineastas que devem muita da sua cultura cinematográfica à frequência ávida do clube de vídeo, embora os seus filmes não caiam nas armadilhas da citação e procurem desmontar esse sistema referencial. A primeira longa metragem, The Roost (2005), ainda denotando alguma reverência, coloca quatro jovens numa fazenda tradicional americana a lutar contra morcegos assassinos que transformam os humanos em zombies. Num formato inspirado na banda desenhada da série Tales from the Crypt (1950–1955) da EC Comics, o ritmo é frenético e em divertidos inserts, a preto e branco, um anfitrião movimenta-se num cenário que parece desenhado por Ed Wood, introduzindo a aventura dos jovens na fazenda e manipulando o seu desenvolvimento. O bom equilíbrio entre os dois segmentos deve muito à qualidade da edição, também da responsabilidade de West, e à utilização de filme super 16 mm, que realça o grão e o ar artesanal. Em Trigger Man (2007), Ti West aproxima-se dos códigos do cinema independente americano, desligando-se da forma narrativa mais clássica. Com câmara à mão, acompanha três amigos, durante uma caçada na floresta, que acabam na mira da espingarda de um desconhecido. O formato slowburning começa a ser moldado aqui. Até ao minuto 37, ou seja metade do filme, para além de alguns detalhes da banda sonora, nada indica que se trata de um filme de terror. Estamos, apenas, em zona de reconhecimento de personagens e conflitos e do espaço físico em que se movem. Trigger Man termina como uma metáfora violenta da comunhão impossível entre a serenidade aparente da cidade e a natureza selvagem, que lembra Deliverance (1972) de John Boorman. No entanto, em Trigger Man as questões de ordem moral encontram-se diluídas na abstracção, ao não identificar de forma clara o rosto do inimigo e a forma como é exercido o poder. Em 2007, um grande estúdio entregou a Ti West o projecto Cabin Fever 2: Spring Fever (2009), sequela do primeiro filme de Eli Roth. Os executivos não gostaram da versão que lhes foi apresentada e pediram a West para a reeditar. O realizador recusou e, depois de trocas azedas de palavras na comunicação social e de o estúdio ter concretizado as alterações, pediu para que o seu nome não constasse nos créditos.

Perante isto, a alternativa foi regressar a pequenos projectos pessoais, com a ajuda do estúdio Glass Eye Pix de Larry Fessenden, onde pudesse controlar todo o processo criativo. As longas metragens The House of the Devil e The Innkeepers e a participação nas antologias de terror V/H/S e The ABCs of Death (2012) - esta última, a ver em Setembro no MOTELx - aparecem a partir deste contexto. The House of the Devil inspira-se em casos reais de cultos satânicos, popularizados durante a década de 1980, nos Estados Unidos. Talk shows e julgamentos, testemunhavam histórias de conspirações de larga escala que raptavam crianças e jovens para serem usados em rituais satânicos carregados de erotismo. Em The House of the Devil não há apenas a convocação de mitos, costumes ou objectos dos anos 80, mas também a sua recriação através do uso de tecnologia e técnicas que possam ajudar a identificar esse período: o filme de 16 mm, a veracidade atribuída à história, o freeze e o amarelo nos créditos, o zoom ou a produção de objectos promocionais em formato VHS. Ou seja, em termos visuais e sonoros, The House of the Devil é a cópia ideal, o melhor filme de terror da década de 1980, produzido depois de 1989. Trata-se, claramente, de uma perspectiva simplificadora, pois o deslocamento temporal funciona como força dramática, como se verifica no caso do walkman. No que diz respeito à narrativa, evolui lentamente, para além do limite do suportável num filme de género, e transforma-se nos últimos minutos, num verdadeiro festival de sangue e adrenalina, em que o espectador pode, finalmente, descarregar o excesso de tensão acumulada. Apesar de não ter tido a mesma receptividade crítica e popularidade de The House of the Devil, The Innkeepers confirma Ti West como caso sério de um autor que aposta na reavaliação do cinema de género, posicionando-se numa zona de fronteira, em que não convence por inteiro, nem os fãs do terror, nem o restante público. Algo que poderá ser testado com a estreia de The Sacrament, produzido por Eli Roth, um found footage em torno de uma equipa de filmagens que é apanhada no meio do suicídio colectivo de uma seita religiosa.  //


















Trigger Man (Ti West, 2006)